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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bombas e pânico em SP na 1ª manifestação contra presidente Bolsonaro

Ato foi pacífico até o final, quando manifestantes se recusaram a desocupar Rua da Consolação e jogou garrafa na PM, que reagiu com bombas e gás
Por Daniel Arroyo e Paloma Vasconcelos/Ponte.com
O primeiro ato contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), realizado na noite desta terça-feira (30/10), na região central da cidade de São Paulo, foi pacífico durante quatro horas, desde o início, às 18h, na Avenida Paulista, até o final, na Praça Roosevelt. Ali, por volta das 22h15, um grupo de manifestantes se recusou a desocupar a Rua da Consolação e, durante uma discussão, jogou uma garrafa nas policiais. A noite, então, terminou com bombas, gás lacrimogêneo, correria e pânico nas ruas.
A Polícia Militar deteve três manifestantes. O primeiro a ser detido foi o estudante Vitor Meneguim, 18 anos, ainda durante a concentração do ato, na Avenida Paulista.
Os policiais que prenderam o jovem afirmam, em vídeo, que ele estava com uma máscara antigás, uma camiseta com dizeres antifascistas, além de combustível e um bastão – que testemunhas afirmam que era uma estrutura de bandeira – e que isso “demonstraria enfrentamento”.
O ato foi inicialmente convocado pela Frente Povo Sem Medo, ligada ao PT, mas contou com a adesão de vários outros grupos, inclusive evangélicos e antifascistas. No trajeto, do Masp (Museu de Arte de São Paulo) até a Praça Roosevelt, o ato saiu às 18h e seguiu pacífico. A organização pediu que os

manifestantes começassem a dispersão por volta das 21h, sob gritos de “aqui está o povo sem medo, sem medo de lutar”, “lutar, virar, poder popular”, “nem fraquejada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar” e “ô Bolsonaro, seu fascistinha, a mulherada vai botar você na linha”.
Por volta das 22h15, a PM informou a um grupo de 150 pessoas, que continuava diante da Praça Roosevelt, que precisava liberar a Rua da Consolação para os carros passarem. A conversa entre PMs e manifestantes mudou quando uma garrafa foi jogada contra o escudo de um dos policiais. Em seguida, o grupo de jovens foi alvo de bombas de efeito moral. Dois jovens foram detidos, um no terminal Parque D. Pedro e outro no Avenida Nove de Julho.
O manifestante detido na Nove de Julho foi identificado como Samuel.  Questionado pela Ponte, o PM se negou a dizer para onde e por que o jovem havia sido detido. Depois que a viatura saiu, levando o manifestante detido, a reportagem entrou em contato, por telefone, com a divisão de Imprensa da PM, que informou que uma viatura do Caep (Companhia de Ações Especiais) havia detido um jovem no Viaduto Nove de Julho e que “provavelmente” seria levado para o 78º DP (Jardins). “Posteriormente será informado o motivo da detenção ou se foi detido para averiguação”, afirma a Divisão de Imprensa. A detenção para averiguação, comum durante a ditadura militar, é uma prática ilegal.
A atriz Damaris Soares também reafirmou o clima de resistência. “A gente não vai ficar calado perante a necessidade de lutar pela democracia. Ele foi eleito de forma democrática, mas é um político fascista, e temos que nos posicionar. Hoje começa a oposição e é importante lutar pelos meus direitos enquanto mulher negra e homossexual. Todo dia a gente vai lutar, seremos resistência sempre”, afirmou.

Para o aposentado Bruno Gaigher, 70 anos, jornalista aposentado, as ruas devem seguir ocupadas para garantir a democracia. “Elegeram um fascista e a sociedade está correndo risco, a democracia está morrendo e não podemos deixar isso acontecer. O povo tem que tomar as ruas porque não tem outro jeito. Ele ganhou as eleições, mas não ganhou com a maioria de brasileiros”, defendeu.
Já para o captador de recursos Tiago Ramos da Silva, 30 anos, estar nas ruas hoje é lutar por aqueles que se foram na ditadura militar. “Mostrar que lutamos pela nossa democracia contra um governo que é a favor da ditadura e quer nos calar, mostrar que o povo tá na rua unido e não vamos aceitar calados. Independentemente do que aconteça, a gente vai estar nas ruas exercendo o nosso direito, lutando pela nossa liberdade e por aqueles que lutaram pela gente há 30 anos, por todo sangue derramado. É a nossa obrigação estar aqui pela nossa liberdade de expressão”, disse.