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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Exame de sangue pode detectar Alzheimer 10 anos antes, diz estudo


Segundo pesquisadores alemães, mudanças no nível de proteína podem indicar danos neurológicos com uma década de antecedência dos sintomas

Por Juliana Contaifer/Metrópoles



Alzheimer é uma doença complicada: além de a ciência ainda não ter desvendado maneiras eficientes de segurar o avanço ou eliminar completamente a enfermidade, os sintomas são duros. Os pacientes podem experimentar confusão mental, dificuldade de compreensão e delírio, desorientação, esquecimento, perda de memória recente, mudanças de personalidade, alucinações, paranoia, incontinência urinária e fala embaralhada. Importante ressaltar que, antes de qualquer um desses problemas aparecer, a degeneração cerebral já vem ocorrendo há anos.

Com o intuito de agilizar o diagnóstico e o tratamento, pesquisadores do Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas em Tübingen procuraram maneiras diferentes de descobrir a degeneração o mais rápido possível. E encontraram. Eles identificaram uma proteína chamada NfL, na sigla em inglês, que fica dentro dos neurônios e vaza quando as células neurais começam a apresentar danos, aparecendo na corrente sanguínea. Os cientistas descobriram muitos vestígios no sangue de pacientes com mutações genéticas que levam ao Alzheimer 10 anos antes de qualquer sintoma começar a se manifestar.

Há também relação entre a proteína e a memória: enquanto os níveis de NfL crescem, a parte do cérebro responsável pela memória começa a afinar.

Apesar de ser um passo importante para detectar a presença da enfermidade com antecedência, os pacientes com a alteração genética representam apenas 1% dos que possuem Alzheimer — porém, desenvolvem a doença em uma janela de tempo previsível e se encaixavam bem no estudo.

Segundo o pesquisador James Pickett, da Sociedade de Alzheimer, muitas outras condições podem aumentar os nível de NfL, como esclerose múltipla e traumas no cérebro, mas ainda não está claro como a medida funcionaria em pessoas com diversas doenças. Mesmo assim, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Pickett afirma que a descoberta é relevante. “Qualquer progresso que possamos fazer para detectar com mais rapidez e certeza quem tem Alzheimer é muito bem vindo”, diz.