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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos

A artista não resistiu a um problema cardíaco


Por Luiz Prisco/Sérgio Maggio/Metrópoles
A atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira morreu, nesta quarta-feira (13/2), aos 96 anos. A artista não resistiu a um problema cardíaco. A notícia foi confirmada pela filha Tina Ferreira.

Segundo relato da filha, Bibi morreu no início da tarde em seu apartamento no Rio de janeiro. A enfermeira que atendia à atriz percebeu uma disfunção cardíaca e chamou os médicos. No entanto, a dama dos palcos não resistiu e faleceu antes de chegar ao hospital.

Informações preliminares indicam que Bibi deve ser cremada, mas ainda não há informações sobre velório e enterro.

Trajetória
Nascida Abigail Izquierdo Ferreira, em 1º julho de 1922, subiu ao palco pela primeira vez com 20 dias de idade. Estava no colo da madrinha, Abigail Maia, durante encenação da pela Manhas de So. Bibi era filha de Procópio Ferreira  e da bailarina Aída Izquierdo.

Ao longo da extensa carreira, Bibi atuou nos palcos como atriz e cantora. Também participou de filmes e apresentou programas de televisão. A multimidiática personalidade foi enredo da Viradouro em 2003 e tema de musical escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães.

Aposentadoria
Em setembro de 2018, a dama dos palcos anunciou a sua aposentadoria. Bibi que vinha em ensaios para um show aguardadíssimo, o repertório de Dorival Caymmi, vai se recolher dos palcos.

“Bibi tem total consciência que sempre que esteve no palco deu o melhor de si, com o maior respeito e consideração ao público. E tem consciência que já deu o que tinha de melhor. Agora, vai descansar, dentro dos limites e condições que a idade lhe permite”, dizia um trecho da nota.

A aposentadoria oficial de Bibi Ferreira interrompeu uma carreira de 77 anos. Bibi caminhou do antigo teatro, feito pelo mestre e pai Procópio Ferreira, ao contemporâneo e coleciona uma trajetória única no país. Não existe nenhuma intérprete que trilhou algo caminhou, com tanta desenvoltura pela arte, como ela nesse país. E fez tudo sempre com maestria. Da graciosa filha de um artista famoso que aprendia balé à fenomenal cantora que encantava plateias de diversas gerações e nacionalidades.

Para quem acompanhava a sua carreira, houve um misto de vazio e de alivio porque o corpo físico estava visivelmente abalado. Uma das coisas mais impressionantes de Bibi Ferreira no palco era a energia com que explodia diante da plateia. A fragilidade física quebrava essa magia e a tornava vulnerável. Foi ela mesma quem reconheceu que era melhor se recolher e sair de cena.

Bibi tinha um sacerdócio em relação ao ofício de atriz e de cantora e zelava pelo corpo-voz poupando extravagâncias. Em 2010, recebeu o ator Jones Schneider para uma entrevista no seu apartamento no Flamengo para realizar o depoimento ao projeto Mitos do Teatro Brasileiro em homenagem ao pai. Venho em passos lentos, de óculos escuros e voz comedida. Sentou-se diante à câmera, dirigiu o enquadramento, tomou uma Coca-Cola e, quando ouviu “gravando”, abriu um sorriso e rejuvenesceu como num passe de mágica.