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sexta-feira, 22 de março de 2019

Brasil vota contra Palestina na ONU pela 1ª vez na história

Num dia que promete marcar a história da diplomacia brasileira, Bolsonaro rompe tradição diplomática e vota contra palestinos no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Apenas oito países votaram contra a resolução. O Brasil foi o único latino-americano a tomar tal atitude

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A atitude foi interpretada mesmo dentro do Itamaraty como uma das maiores mudanças nas diretrizes da política externa em décadas e deixou o País isolado de grupos dos quais tradicionalmente fez parte: América Latina, Brics e mesmo dos países emergentes.

Uma das resoluções rejeitadas pelo Brasil pedia justiça diante de supostas violações e crimes por parte de Israel em conflitos registrados em 2018 em Gaza. O governo de Jair Bolsonaro também votou contra uma resolução favorável aos sírios e que condena Israel por violações aos direitos humanos em sua ocupação das Colinas de Golã e se absteve no que se refere à expansão dos assentamentos israelenses em terras ocupadas.

A decisão representa uma ruptura em relação à posição histórica do Brasil na região. Desde 2006, 29 resoluções contra Israel foram colocadas à votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os diferentes governos do Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer – votaram a favor de todas elas, condenando Tel Aviv.
Faltando uma semana para a visita de Bolsonaro para Tel Aviv, o Itamaraty optou por votar contra uma resolução que estabelecia a necessidade de que violações cometidas pelo governo de Benjamin Netanyahu fossem levadas à Justiça.
A resolução que condena Israel é resultado de uma investigação realizada por uma comissão internacional que concluiu que soldados de Tel Aviv atiraram sobre manifestantes desarmados, matando pelo menos 189 palestinos em 2018. Mais de 6 mil palestinos ainda ficaram feridos em confrontos com forças de Israel, entre março e dezembro de 2018.

“As forças de segurança de Israel cometeram violações de direitos humanos e de direito humanitário“, apontou o informe. “Algumas das violações podem constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade“, alertaram os autores do documento de mais de 250 páginas.

O Brasil votou a favor da criação da investigação internacional, ainda em maio de 2018 e sob o governo de Michel Temer. Mas, na gestão de Bolsonaro, decidiu votar contra. Apenas oito países votaram contra a resolução. O Brasil foi o único latino-americano a tomar tal atitude. Ao lado de Bolsonaro estavam tradicionais aliados dos EUA, como Ucrânia e Austrália, além do governo de extrema-direita de Viktor Orban, da Hungria.

Ao explicar sua oposição à resolução, o governo do Brasil reconheceu que houve uma maior flexibilidade por parte dos palestinos na redação do texto. O Itamaraty ainda insistiu em demonstrar “solidariedade” com as vítimas e lamentou a violência. Em seu discurso, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, pediu “moderação” por todos.