quarta-feira, 29 de maio de 2019

Lula divulga carta em que Papa Francisco lamenta perdas familiares e pede coragem para o petista 'não desanimar'


Sem comentar situação judicial do ex-presidente, Pontífice teria escrito que considerações do político sobre o Brasil lhe serão 'de grande utilidade'
O Globo
RIO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em seu site oficial uma carta na qual, segundo a equipe do petista, o Papa Francisco lamenta as "duras provas" pelas quais o líder político tem passado e manifesta solidariedade pelas mortes de sua mulher, Dona Marisa, do irmão Genivaldo Inácio da Silva e do neto de 7 anos, Arthur Araújo Lula da Silva. Na missiva, datada de 3 de maio, o Pontífice pede coragem para o político "não desanimar" e "continuar confiando em Deus", mas não comenta a situação judicial do ex-presidente, preso desde abril do ano passado em Curitiba.

A carta foi revelada pela jornalista Monica Bergamo, da "Folha de S. Paulo", e divulgada na manhã desta quarta-feira pelo site oficial de Lula. A mensagem do Papa seria uma resposta a uma carta do ex-presidente, que escreveu ao chefe do Vaticano em abril para agradecer a contribuição do líder católico na defesa dos direitos dos mais pobres e relatar seu estado de ânimo sobre o contexto sociopolítico do Brasil. Na carta, o Papa teria apontado que tais considerações sobre a política brasileira lhe serão "de grande utilidade".

"Tendo presente as duras provas que o senhor ultimamente, especialmente a perda de alguns entes queridos - sua esposa Marisa Letícia, seu irmão Genival Inácio e, mais recentemente, seu neto Arthur de somente 7 anos -, quero lhe manifestar minha proximidade espiritual e lhe encorajar pedindo para não desanimar e continuar confiando em Deus", diz a carta divulgada com a assinatura de Francisco.

O site oficial de Lula destaca que Francisco enviou um rosário abençoado a Lula, em 2018. Na época, o Vaticano esclareceu que o advogado argentino Juan Grabois, responsável por levar o terço bento ao ex-presidente na prisão, visitou o petista "a título pessoal" , não em nome de Francisco.