quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Filho vela e enterra o corpo de sua mãe sozinho

Fonte: G1/Fotos: Vitor Santana/G1
Gabriel Pietro/Razões para acreditar - O homem que publicou uma foto nas redes sociais velando sozinho o corpo de sua mãe em Goiânia (GO), contou que tirou a foto em um momento de “revolta” e que deseja usar seu exemplo para que os filhos não abandonem os pais na velhice.

O post, originalmente publicado no Facebook, viralizou e conta com mais de 330 mil reações na plataforma.
José Ricardo Fernandes, 43 anos, ficou assustado com tamanha repercussão. “Eu não fiz isso para aparecer, ficar famoso. Mas quando começou a bombar, eu vi que posso usar isso para que inspire filhos a cuidarem dos seus pais até o fim, não os abandonar”, disse.
Ele trabalhava como cabeleireiro, mas precisou deixar o serviço para fazer um tratamento contra uma doença renal crônica. José também conta que cuidou sozinho da mãe por quatro anos em um apartamento no Negrão de Lima, na capital goiana.
“Descanse em paz minha amada mãe”

Dona Maria Fernandes de Oliveira, mãe de José, faleceu na madrugada do último sábado (17), aos 77 anos de idade. O filho publicou uma foto da mãe naquela noite, com a seguinte frase: “Descanse em paz minha amada mãe”.

Horas depois, precisou fazer hemodiálise pela manhã, e correu para buscar a documentação necessária para a liberação do corpo. Em meio à correria, não conseguiu avisar de outras formas a morte da mãe.
“No meu perfil eu tenho poucos amigos, mas são amigos de infância de São Domingos de Goiás, da cidade onde eu e minha mãe morávamos. Até 12h, quando eu saí da hemodiálise, ninguém tinha me ligado, ninguém tinha falado nada. Então eu pedi para a funerária fazer os preparativos para o velório e enterro”, disse.

Ao chegar no velório, ficou absolutamente indignado por nenhum familiar ter comparecido. “Eu fiquei revoltado. Eu publiquei esperando ser criticado e eu já tinha a resposta pronta, porque ninguém nunca me ajudou, sabia da situação dela e não ligava, não fazia uma visita. Só que repercutiu para um lado diferente. Minha mãe teve crocodilo chorando no caixão dela, mas teve 320 mil curtidas de um adeus que foi de coração de pessoas do Brasil todo”, disse.
O velório ocorreu no cemitério Vale da Paz, e foi rápido, contando apenas com a presença do filho de Maria – nenhum outro parente se manifestou até a tarde daquele dia, e José decidiu não prolongar mais a cerimônia de despedida.

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No enterro, um vizinho e sua esposa compareceram, dando algum alento à José. “Ficamos chocados pelo fato de não ter aparecido nenhum parente”, contou o vizinho Ederson dos Reis.

Família espalhada
O ex-cabeleireiro conta que seus familiares estão espalhados pelo estado de Goiás, Minas Gerais e Acre. “Há um ano minha mãe caiu, quebrou o fêmur e foi ficando mais fraca. Eu avisei, mandei vídeos dela de cama e nesse tempo todo ninguém nunca ligou ou fez visita”, disse.

Mãe e filho sobreviviam com a renda de dois salários mínimos da aposentadoria e um salário mínimo de um benefício que José recebe. Agora, ele se apoia nos comentários positivos que tem recebido para seguir em frente. “Agora sou sozinho. Mas, ao mesmo tempo, não, porque tem milhares de pessoas me seguindo agora”, completou.

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